– por George Dantas* –

 

O massacre de crianças e adolescentes na escola de Realengo em sete de abril de 2011 colocou o Brasil entre os relativamente poucos países em que já ocorreram assassinatos em massa ou massacres (mass murders) em estabelecimentos escolares nos últimos 98 anos (1913-2011). Cotejando a lista desses 17 países, parece que nada emerge para generalizações e determinação de fatores comuns, o que, segundo a disciplina de “análise criminal”, seriam os padrões e tendências da modalidade delitiva em exame.

A lista de massacres similares ao de Realengo, ocorridos entre 1913 e 2011, aponta uma incidência maior de casos em cinco países: EUA/14 casos, China/9 casos, Alemanha/6 casos, Canadá/3 casos e Finlândia/2 casos. Mas não é possível, apenas com isso, estabelecer generalizações ou determinar “padrões”, objetivo primordial da “análise criminal”, disciplina instrumental para a prevenção do crime e da violência. Igual acontece, ao considerar os outros 12 locais com um único caso de incidência de massacres escolares (em ordem alfabética): Azerbaijão, Bélgica, Brasil (desde sete de abril de 2011), Bulgária, Guatemala, Hong Kong, Iêmen, Israel, Japão, Polônia, Reino Unido e Rússia.

Tanto os cinco países de maior incidência do fenômeno, como todos os 17 países juntos (os cinco de maior incidência e os 12 com um único caso), não guardam maior homogeneidade, quer seja política, cultural ou econômica. Conjuntamente, o grupo abrange todas as maiores religiões do mundo, estão situados em quase todos os continentes (com exceção da África), exibem todos os possíveis níveis socioeconômicos, falando todas as chamadas “línguas de trabalho” da ONU (chinês, espanhol, francês, inglês e russo). Enfim, esses 17 países não têm maior afinidade que não seja a tragédia dos assassinatos em massa, agora também compartilhada com o Brasil.

Leia na íntegra o artigo do Prof. Dr. George Felipe publicado no site Observatório da Imprensa.

 

*George Felipe de Lima Dantas é especialista em segurança pública; coordenador acadêmico do Núcleo de Segurança Pública da Universa; presidente do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal (INTECRIM), vice-presidente do “Capítulo Brasil” da Associação Internacional de Analistas de Inteligência Policial (IALEIA); atuações como consultor em órgãos nacionais e internacionais, como PNUD, ONU – NY/México/Nigéria, OEA-Caribe, Presidência da República, Câmara Federal.