Por Fabrícia Araújo –

Momento de autógrafos

Oportunidade única é assistir à palestra do maestro João Carlos Martins. Melhor ainda é vê-lo ao piano. Ontem, o músico esteve em Brasília para o último evento do ano da N produções. Um documentário sobre a vida do maestro marcou o início da palestra. Logo depois ele subiu ao palco e sem dizer nada começou a reger a Orquestra de Câmara de Brasília, composta por 35 músicos. Também não era preciso falar, a música falava por ele.

Ao final da primeira peça, João Carlos Martins começou a contar sua história de vida que foi marcada por muitas adversidades e tantas superações. A primeira dificuldade veio aos 26 anos, quando teve um nervo rompido e perdeu o movimento da mão direita num acidente em um jogo de futebol, em Nova Iorque.

Depois disso, outros acontecimentos pioraram a agilidade das mãos de João Carlos Martins, que foi perdendo aos poucos os movimentos que ainda tinha. Mesmo sem tocar piano como antes, ele decidiu que seguiria na música. Em 2003, sonhou com Eleazar de Carvalho, um importante regente brasileiro, e com esse sonho decidiu ser regente. Foi assim que João Carlos Martins se transformou em um grande maestro.

Ele percebeu que tinha uma missão social a cumprir. Criou, então, a Orquestra Bacchiana Jovem com o intuito de inserir a música na vida de jovens da periferia. Além disso, João Carlos desenvolve um trabalho com adolescentes internados na Fundação Casa, antiga Febem. Ele relatou, durante o evento, que o dia mais emocionante da vida dele foi em 23/12/2008, quando recebeu um cartão de Natal de um ex-interno da Fundação Casa escrito: “Senhor maestro, Feliz Natal! A música venceu o crime.”

João Carlos Martins mostrou para todas as pessoas da plateia o quão pequenos são os problemas diante da vontade de seguir em frente. Para ele, o fundamental é acreditar nos sonhos. “Nossa vida é como uma flecha: pode mudar de rumo, mas tem que ter objetivo”, completou o maestro. Aplaudido de pé pelo público, o ex-pianista tocou o Hino Nacional Brasileiro para finalizar a grande noite.