“No mundo do conhecimento, a última coisa a ser percebida, e com muita dificuldade, é a Forma Essencial do Bem (…) Sem ter uma visão desta Forma, ninguém pode agir com sabedoria, seja na própria vida, seja em questões de Estado”.

Platão.

Se você tivesse que escolher um dos temas mais importantes para o gerenciamento de projetos qual deles seria? Comunicação, planejamento, execução, liderança, equipe?

Eu diria que nenhum deles… Para o gerenciamento de projetos, ou para qualquer outra atividade humana, o mais importante é o ‘bom senso’. Aristóteles já dizia a mais dois mil anos, que o bom senso é o “elemento central da conduta ética, uma capacidade virtuosa de achar o meio termo e distinguir a ação correta em determinada situação”.

Por não existir verdade absoluta em qualquer conhecimento ou atividade humana, é preciso que tenhamos discernimento para escolher, entre os recursos que estão à nossa disposição, aquele que melhor se adequa à situação que estamos vivendo e, não obstante a importância em aprender máximo possível sobre técnicas, ferramentas e metodologias em certos momentos temos a impressão de que isso não é o suficiente para uma tomada de decisão rápida e eficaz.

Como o ‘bom senso’ está diretamente ligado à nossa capacidade de pensar, seu conceito nos remete à filosofia que, segundo o wikipédia, “é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem”. E para os gestores de projetos que precisam tomar decisões rápidas, que são pressionados por resultados em função de tempo e orçamento muitas vezes bastante limitados, o ‘bom senso’ é particularmente importante.

Assim, sugiro que além de ler o PMBoK, Kerzner, Prado e outros ‘papas’ que nos ensinam modernas e eficientes técnicas de gerenciamento de projetos, que leiam também Aristóteles, Confúcio, Karl Marx, Marilena Chauí, Leonardo Boff e outros mestres que nos ensinam a desenvolver o ‘bom senso’. Com certeza, teremos mais equilibrio para as tomadas de decisões e, por consequencia, melhores resultados em nossos projetos e mais felicidade em nossas vidas.

Como disse o Sr. Luiz Seabra, Fundador da Natura, à revista Época em dezembro de 2008: “Considero importante trazer para o âmbito dos negócios a visão da filosofia clássica. É com o pensar filosófico que poderemos transformar as empresas em organizações que permitam que este século vença os enormes desafios que nossa civilização enfrenta.”