Por  Gilberto Lima Jr*

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi amplamente comemorada pela passagem de seus noventa anos. Nela a expressão singular da cultura brasileira, conhecida como Manifesto Antropofágico, delineou o “jeito de ser” de um Povo amistoso, amável, receptivo e como dizem os norte-americanos, “friendly” (amigável) na relação com outras culturas e valores.

Ao invés de qualquer forma de xenofobia ou mesmo de louvor cego aos padrões da arte estrangeira, expoentes de nossa cultura, como  Mário de AndradeOswald de AndradeVíctor BrecheretPlínio SalgadoAnita MalfattiMenotti Del PichiaGuilherme de AlmeidaSérgio MillietHeitor Villa-LobosTarsila do AmaralTácito de AlmeidaDi Cavalcanti entre outros resolveram mostrar a capacidade do brasileiro em misturar e digerir as influências externas e internas e projetar uma expressão singular na forma de ver o mundo e na própria forma de ser.

Desde lá, o mundo voltou a reverenciar nossa cultura em diferentes momentos pela via dos grandes autores, escritores e compositores. Carmem Miranda certamente representou uma de nossas antropofagias musicais. Uma portuguesa convertida ao “carioquismo” em essência que levou nossas batucadas ao estrelato nas telas dos cinemas e aos palcos internacionais, incluindo a Broadway (1940).

O estrangeirismo aumentaria com a abertura econômica do país na fase da substituição das importações, especialmente no período do mandato do Presidente Juscelino Kubistcheck (1956 a 1960). Juscelino precisou negociar com diversos países, visitou e recebeu inúmeros Chefes de Estado, buscando os recursos necessários à implementação de seu Plano desenvolvimentista que previa um crescimento de 50 anos em 5. Sua gestão foi marcada pela construção da indústria automotiva, das grandes obras nacionais como: hidroelétricas, rodovias e a construção de Brasília, a nova Capital da República, um verdadeiro museu de arte a céu aberto, hoje tombado como Patrimônio histórico e cultural da humanidade! Nesta fase, a presença de multinacionais no país se multiplicou consideravelmente e o Presidente Boêmio, como era conhecido, teve a felicidade de ver a auto-estima brasileira nas alturas, afinal o mundo parava para nos reverenciar pela primeira vez, com a conquista do campeonato Mundial de Futebol, a Copa de 58, disputada na Suécia, comandada por Pelé-Garrincha-Vavá, ao mesmo tempo em que emplacávamos por toda história o grande produto de nossa exportação, a Bossanova. Cantores como  João GilbertoNara LeãoVinicius de MoraesAntonio Carlos JobimBaden Powell e Luiz Bonfá, alegravam o mundo fazendo o imaginário internacional se voltar às calçadas de Ipanema e Copacabana sonhando com nossos encantos naturais, inclusive o mito Frank Sinatra. Anos Dourados àqueles.

-*Gilberto Lima Jr é Consultor em Negócios Internacionais, Presidente da Going Global Consulting e Membro do Conselho do World Trade Center-

Clique aqui para ler o artigo na íntegra: A Globalização Brasileira de Oswald de Andrade a Michel Tello

 
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