Leia abaixo o artigo de Oto Morato, professor da Universa Escola de Gestão
Muito tem se estudado sobre liderança nos últimos anos. Não que seja uma novidade, afinal, os registros históricos sempre destacaram aqueles que fizeram a diferença em suas épocas. Por isso, é importante começar justamente por essa característica singular do líder: fazer acontecer. O líder é o gestor da mudança e, em nenhum outro tempo, as mudanças ocorreram com tamanha velocidade.
Várias teorias tentam explicar a liderança em função de características da personalidade (individual), da posição (histórica), da influência que exerce (transacional), ou do poder (contingencial). Como conseqüência, uma série de qualidades emanam dessas teorias e passam a ser paradigmas tidos como essenciais ao líder: visionário, empreendedor, ético, adaptativo, motivador, competente, comprometido, confiante, capaz, resistente, persistente, carismático, exemplar, comunicador, respeitador, humilde, inteligente, protetor, desafiador, alguém, enfim, com super poderes, muito mais perceptíveis nos super-heróis do que nos seres humanos.
Peter Drucker afirma que pode ser que existam líderes natos, mas eles são raros demais para que dependamos deles. Entretanto, não reconhecê-los e ignorá-los talvez constitua um erro tão grave quanto a dependência que se cria em relação a eles. É preciso entender o momento em que vivemos como de transição. Refletir sobre o que pensa Alvin Tofler “nossa responsabilidade moral não é parar o futuro, mas moldá-lo (…), conduzir de forma humana o nosso destino e aliviar o trauma das transições”, pode ajudar a entender melhor o papel de um líder nesse contexto. Assim, o líder moderno faz o futuro acontecer.
É preciso, primeiramente, entender a dimensão da palavra futuro. Num passado não muito distante, futuro era visto como algo remoto e que talvez não nos pertencesse. Com o desenvolvimento tecnológico e a globalização, as mudanças passaram a ocorrer numa velocidade jamais vivida. O futuro está próximo e antecipá-se e construí-lo é uma questão de sobrevivência.
Bons resultados já não são suficientes. É preciso também garantir o desenvolvimento sustentável para os próximos anos. Assim, se já era difícil vencer no seu próprio tempo, temos agora o desafio de estarmos prontos para o futuro. Empresas e instituições são desenhadas numa nova dimensão, associadas não somente aos produtos e serviços oferecidos, mas também ao relacionamento com seus stakeholders: acionistas, clientes, funcionários, fornecedores, cadeia produtiva, sociedade, governo, meio ambiente.
No cenário atual, a estratégia tem um papel decisivo. É através da sua efetiva execução que se agrega o valor necessário para a diferenciação. Vale dizer que ter um plano não é o mesmo que ter uma estratégia. Estratégia é execução, inovação, ter seu próprio plano, seu próprio modelo, é ser diferente. Entregar um exclusivo mix de produtos e serviços, com valor agregado, trabalhando com recursos raros para criar uma vantagem competitiva. Para o estrategista Narayan Pant, a estratégia tem que responder a duas perguntas: Onde você vai competir? Como você vai ganhar? Embora simples, as respostas passam pela definição dos produtos e serviços oferecidos, mercado, público alvo, tecnologia disponível, diferenciação, valor percebido, cadeia de suprimentos, vantagens competitivas.
Na chamada era do conhecimento, as pessoas são os maiores ativos das empresas. A constante capacitação delas, a delegação de responsabilidades, o trabalho em equipe, o aprendizado através da diversidade, a motivação, a criatividade em prol da inovação, o empreendedorismo, a recompensa são apenas alguns dos instrumentos (meios) para o líder atual. Entender a importância e o papel das pessoas nos processos é fundamental. A explicação é simples: pessoas são impossíveis de serem copiadas e difíceis de serem imitadas.
Uma atividade que requer muito do líder moderno é o processo de tomada de decisão. Cada vez em maior número, mais constantes e rápidas, as decisões trazem conseqüências e impactos maiores e com mais repercussão. Nesse processo, as habilidades demandadas são a capacidade de entender corretamente o problema e, mais importante, resolvê-los, de formular as perguntas certas para as pessoas certas, de assumir responsabilidades, de reconhecer os erros e de errar cedo, barato e constantemente. Os erros fazem parte de um processo de aprendizagem, afinal, pequenos erros são melhores que errar uma única vez (onde não se poderia errar), errar no final ou errar grande (comprometendo todo um projeto).
Por fim, mas não menos importante, a comunicação. Por mais fácil que pareça, a falta de clareza na comunicação dos direcionamentos da empresa comprometem os resultados e, muitas vezes, causam danos irreparáveis. Falar a verdade e pedir pela verdade, de forma clara e objetiva, sempre validando com o receptor se a informação recebida foi compreendida corretamente é vital. Muitos líderes, isolados fisicamente e protegidos por assessores, perdem a grande oportunidade de caminhar nessa via de mão dupla, que permite ouvir e ser ouvido. Aliás, saber ouvir é uma grande e antiga virtude dos líderes..
Cada ponto abordado anteriormente não pode ser visto isoladamente. Eles formam um sistema interligado e interdependente, onde a soma do todo (os resultados alcançados) é maior que a soma das partes (resultados isolados). É importante que o líder crie um círculo virtuoso, que reconheça os sucessos, e que realize os ajustes necessários (processo de melhoria contínua), descobrindo, enfim, novos caminhos (gestão da mudança) a serem construídos com a participação de todos.
É importante ter em mente que o futuro não vem de uma vez só. As vitórias de amanhã dependem do trabalho de hoje. A única certeza que temos é a de que as mudanças virão. Ter visão de futuro, executar a estratégia de maneira eficaz, apresentar produtos e serviços diferenciados, ter pessoas qualificadas e comprometidas e um sistema de comunicação eficiente, tudo sistemicamente integrado com o ambiente interno e externo, garante ao líder a condução da empresa rumo ao desenvolvimento e crescimento sustentável e duradouro.


17 comentários
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11/05/2010 às 19:23
Tatiana
Excelente Oto. O líder de hoje, de ontem e o de amanhã devem construir o futuro, passo a passo, mas sempre de olho no aprendizado, na história: o mundo mudou, mas os homens são os mesmos.
12/05/2010 às 11:19
Sâmara Martinsd
O artigo é enriquecedor! Um ponto importantíssimo ressaltado pelo Prof. Oto é a importância do que se faz no presente com visão no futuro. Adorei o artigo!
12/05/2010 às 18:06
Silvio Mizerani
Artigo de leitura agradável, tema atual e de grande aplicação no mundo corporativo.
Oto, parabéns.
12/05/2010 às 18:44
Ivo Dall Agnol
Muito claro o seu artigo e finalmente encontro um pensador, que tornou-me prazerosa a leitura de que o futuro is now. Sempre gostei da conjugação de verbos no futuro do presente, talvez este seja o desafio de qualquer lider ou pessoa.
12/05/2010 às 22:02
Eneias Magalhaes
Este artigo é uma síntese de um projeto de liderança de sucesso.
Gostaria de acrescentar que as qualidades listadas precisam ser desenvolvidas desde cedo nos indivíduos, que devem ser estimulados a pensar criticamente, analisar possibilidades, tomar decisões sob pressão e acima de tudo aprender a trabalhar em um ambiente onde a diversidade dá o tom das relações interpessoais. Lamentavelmente nosso sistema educacional, de modo geral, trata as crianças como repetidores de processos e candidatos ao comportamento padronizado, esperando que tenham atitudes e pensamentos padrão e uniformes. Mudar isso, preferencialmente desde cedo, mas ainda que nos segmentos mais altos da cadeia de ensino é um pressuposto para o surgimento destes líderes de sucesso dos quais este artigo tão enriquecedor nos fala.
14/05/2010 às 17:29
Fernando Santos Dantas
Excelente Oto!
Sempre pessei que deveria haver um determinado estilo que fosse indubitavelmente o melhor para a liderança, mas a experiência me ensinou que não existe liderança sem personalidade. O que funciona com uma pessoa pode não funcionar com outras.
Em qualquer ambiente organizacional, é preciso aprender o máximo possível sobre suas estruturas e sobre as pessoas que fazem a empresa, para só então adotar um estilo de liderança que se adapte a sua personalidade de tal forma que seja percebido como natural e autêntico. Trata-se, enfim, de um ajuste da experiência e personalidade de determinada pessoa ao seu estilo de liderança.
Forte abraço,
Fernando S. Dantas
18/05/2010 às 9:57
antonio fabio ribeiro
Prezado OTO Muito bom. Gostaria de receber sempre seus artigos. Um abraco do amigo
Antonio Fabio.
18/05/2010 às 10:37
Breiner Silvestre
Ser lider na Administração pública é uma dificuldade a mais, pela cultura, pelo ambiente, e até pelo fato de que alguns gestores, que muitas vezes não tem vínculo com o órgão, não anseiam pela motivação da equipe, nem pelo desenvolvimento profissional. Seja em qual situação for, o líder tem que ser o líder que se espera, um líder de sucesso, com todo esse perfil e características que o Professor Oto tão bem coloca em palavras. Professor, um grande abraço. Breiner
18/05/2010 às 13:50
Paulo Célio Faleiros
Caro Oto,
Excelente seu artigo. Leitura agradável, atual e prazerosa. No último paragrafo voce superou !! Mestre, grande abraço. Paulo.
18/05/2010 às 15:32
helio de araujo freitas
Prezado Oto,
Parabéns pelo Artigo, fiz uma pós-gradução na Universidade do Legislativo de Administração Legislativa, a sua visão de liderança e Planejamento estratégico está dentro dos padrões mundiais que as empresas , cooporações , ONGs, Indústrias , entidades e empresas públicas precisam.
Abraço
Hélio de A.Freitas
18/05/2010 às 18:48
Claudio Cotrim
Caro Mestre Oto,
Felicito-o pelo artigo, que alerta sobre as mudanças e orienta sobre liderança e sucesso profissional. Preciso como Guilherme Tell! Parabéns!
19/05/2010 às 10:29
José Eduardo Kury
Estimado Oto,
o seu artigo é muito esclarecedor! Na tomada de decisões a “faculdade” de errar (com limites) faz parte do jogo – o que não faz parte do jogo é a eventual omissão do líder no processo decisório, pois “quem toma decisões pode errar, mas quem as protela indefinidamente já errou”
Com os melhores cumprimentos,
José Eduardo Kury.
19/05/2010 às 16:12
Ademar Paulo Gregorio
Caro Oto,
Parabéns pelo o seu valioso e esclarecedor artigo, achei de uma grande importancia, pois reflete o papel do lider moderno.
19/05/2010 às 17:57
Márcia Garcia
Parabéns pela clareza com que aborda um tema tão amplo e desafiador. Contextualizar a liderança facilita a orientação para resultados sustentáveis e o alinhamento da gestão.
19/05/2010 às 19:19
Raul Sturari
Olá Oto,
Excelente artigo.
Para construir o futuro, o líder deve conhecer Prospectiva Estratégica e elaboração de cenários, como base para o planejamento estratégico de longo prazo.
Parabéns!
Raul Sturari
26/05/2010 às 9:48
Júlio Miranda
Grande Oto,
Artigo muito bom e, mais importante, sei que não saiu somente de livros, mas do fundo do peito. Porque sou testemunha de que você, mais do que escrever sobre o tema, pratica liderança. Abraço.
01/06/2010 às 18:10
Cabral Júnior
Mestre Oto,
seu artigo é de leitura agradável e de muita acurácia em relação a liderança, principalmente quando diz :
“Falar a verdade e pedir pela verdade, de forma clara e objetiva, sempre validando com o receptor se a informação recebida foi compreendida corretamente é vital. Muitos líderes, isolados fisicamente e protegidos por assessores, perdem a grande oportunidade de caminhar nessa via de mão dupla, que permite ouvir e ser ouvido. Aliás, saber ouvir é uma grande e antiga virtude dos líderes..”
Hoje o Modelo de Gestão em uso cria figuras arrogantes, prepotentes e despreparadas para ouvir e motivar suas equipes, esquecendo que o futuro é a colheita do semear de agora.